SOBRE O CURSO

SOBRE O CURSO

A agressividade ocupa um lugar estruturante no desenvolvimento emocional e na constituição do psiquismo. Longe de ser apenas um afeto destrutivo ou um impulso que deve ser contido, ela representa uma força vital fundamental, responsável pela diferenciação do eu, pela capacidade de afirmar a própria existência e pelo estabelecimento de limites na relação com o outro. Quando encontra condições ambientais suficientemente boas, a agressividade pode ser integrada à personalidade, enriquecendo o self e favorecendo movimentos de autonomia, criatividade e vitalidade psíquica. Na prática clínica, a agressividade se apresenta de múltiplas maneiras. Pode surgir de forma explícita, por meio de atuações, ataques verbais ou corporais, ou de maneira mais silenciosa, manifestando-se como inibição, retraimento, passividade excessiva ou sintomas somáticos. Em outros casos, aparece dissociada, fragmentada ou deslocada, dificultando o reconhecimento de sua origem e de seu sentido. Em todas essas formas, a agressividade não deve ser tomada como um problema em si, mas como um sinal clínico que aponta para algo do desenvolvimento emocional que necessita ser escutado, sustentado e elaborado. A compreensão da agressividade torna-se, portanto, essencial para o trabalho clínico. Diante de suas expressões ou mesmo de sua ausência, o analista ou terapeuta é convocado a ocupar a função de ambiente facilitador, oferecendo um espaço suficientemente seguro para que o sujeito possa entrar em contato com afetos frequentemente atravessados por culpa, medo, repressões e julgamentos morais. Quando o ambiente falha, a agressividade tende a ser recalcada ou desviada, comprometendo o processo de amadurecimento emocional e empobrecendo a vida psíquica. Donald Winnicott contribui de forma decisiva para essa compreensão ao afirmar que o verdadeiro perigo da agressividade não reside em sua existência, mas em sua repressão. Para o autor, a agressividade faz parte do gesto espontâneo e da vitalidade do sujeito, sendo indispensável para o desenvolvimento saudável. Em suas palavras, “se a sociedade se encontra em perigo, não é por causa da agressividade do homem, mas em consequência da repressão da agressividade pessoal nos indivíduos”. A repressão excessiva desses impulsos pode resultar em falsos selfs, em adaptações submissas e em uma desconexão profunda com a própria experiência emocional. Sándor Ferenczi, por sua vez, amplia essa reflexão ao destacar a importância de que os afetos da criança sejam reconhecidos e vividos, e não silenciados por práticas educativas autoritárias. Para ele, a severidade excessiva pode produzir marcas psíquicas duradouras, favorecendo a constituição de um superego rígido e persecutório. Ferenczi defende que a educação e o cuidado devem priorizar a proteção da integridade emocional e física da criança, respeitando seus movimentos afetivos, inclusive aqueles atravessados pela agressividade. Ele afirma que a criança tem o direito de imaginar-se onipotente, e que a autoridade só se justifica quando é necessária e legítima, nunca quando se coloca a serviço da violência ou da dominação. Este curso propõe um aprofundamento teórico e clínico sobre a agressividade no desenvolvimento emocional, articulando as contribuições de Winnicott, Ferenczi e outros autores fundamentais da psicanálise. Ao longo das aulas, serão discutidos os destinos possíveis da agressividade, suas manifestações na clínica com crianças, adolescentes e adultos, e o papel do ambiente, da escuta e da sustentação emocional na possibilidade de integração desses afetos. Trata-se de um convite à reflexão sobre como acolher a agressividade sem moralizá-la ou patologizá-la, compreendendo-a como parte essencial da experiência humana e do processo de amadurecimento emocional. Um espaço de estudo voltado a profissionais e estudantes que desejam ampliar sua compreensão clínica e teórica, sustentando práticas mais sensíveis, éticas e comprometidas com a singularidade de cada sujeito. O curso oferece acesso ao conteúdo por 1 ano, material de apoio para aprofundamento dos estudos e certificado de participação, possibilitando que o aprendizado se dê no tempo de cada participante, respeitando os diferentes ritmos de elaboração e assimilação.

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MAIARA FERREIRA

MAIARA FERREIRA

Eu sou Maiara Ferreira Pereira psicóloga e psicanalista de São José do Rio Preto e atuo na área clínica orientada pela psicanálise desde 2020. Utilizo de referências em meu trabalho autores como Winnicott, Ferenczi, Freud entre outros psicanalistas contemporâneos. Realizo atendimentos via online ou presencial assim como supervisões para outros profissionais.