A formação do analista não se encerra em um curso, em um título ou em um momento específico da trajetória profissional. Ela é, desde Freud, um processo contínuo, atravessado pela própria experiência clínica, pela análise pessoal, pelo estudo teórico e pela disposição constante de se deixar afetar pelo encontro com o outro. Este curso parte da compreensão freudiana de que a psicanálise não se aprende apenas por transmissão de conteúdos, mas pela transformação subjetiva daquele que escuta. Freud já advertia que o principal instrumento do trabalho analítico é o próprio analista — e, por isso, sua formação exige um trabalho permanente sobre si, seus limites, suas resistências e seus pontos cegos. A partir de Ferenczi, essa concepção se radicaliza. A formação deixa de ser pensada apenas como domínio técnico e passa a incluir, de maneira ética e clínica, a sensibilidade, a elasticidade da técnica e a responsabilidade do analista diante do sofrimento do paciente. Ferenczi nos lembra que não há clínica viva sem um analista disposto a rever suas certezas, a sustentar sua própria vulnerabilidade e a reconhecer os efeitos da relação analítica sobre si. Assim, o curso propõe a formação como um movimento contínuo, sustentado em três eixos fundamentais: o estudo aprofundado da teoria freudiana e ferencziana; a reflexão clínica a partir da experiência viva dos atendimentos; o trabalho constante de implicação subjetiva do analista em formação. Mais do que oferecer respostas prontas, o curso convida o participante a habitar perguntas, a construir um modo próprio de escuta e a compreender que formar-se analista é aceitar que a clínica transforma, exige e convoca o analista ao longo de toda a sua trajetória. A formação do analista, nesse sentido, não é um ponto de chegada, mas uma prática permanente de elaboração, sustentada no rigor teórico de Freud e na ética do cuidado e da sensibilidade clínica proposta por Ferenczi.
CLIQUE AQUIDANIELLA BASTOS Psicanalista e psicóloga, especialista em psiquiatria e psicanálise com crianças e adolescentes (IPUB/UFRJ). Na clínica desde 2019, trabalhando com sujeitos de diferentes idades, se dedica ao atendimento online e presencial. Trabalha com supervisão e orientação clínica para psicanalistas e psicólogos. Desde 2020 desenvolve grupos de estudos e outros espaços de transmissão online, para o estudo em conjunto temas no espectro da psicanálise. Tem como principal referencial teórico clínico o Sándor Ferenczi. Nos temas de pesquisa, desenvolveu sobre a psicanálise online com adolescentes, a confusão de línguas ferencziana e orientação vocacional com adolescentes.